Como fazia todas as noites, ela escutava seus discos favoritos sozinha no escuro,
mas com uma diferença, hoje ela bebia.
Uma comemoração era o motivo.
“Felicidades, querida...” era o que a música lhe desejava.
Seria uma conveniente saudação de aniversário se ela estivesse interessada em felicidade, porém nessa noite em especial ela só queria morte.
Sentada em sua poltrona cinza, ela balança a taça com o líquido escuro que bebia, olhando fixamente para o retrato na parede, permitiu então que sua memória a levasse de novo àquele tempo . . . ela já esteve ali antes, sentada, bebendo. Estava com sono, e a bebida era branca. Sua mãe a preparara.
Uma mãe, tantos erros... quanta ausência.
Ela se lamentava agora ter tido que nascer de humanos...
Pudera ela ter nascido da Natureza, e dessas forças instintivas e imparciais que a formam...do ventre da água, A filha do Vento...
Dos baús velhos das lembranças que ela abandonou
para que não lhe pesassem no caminho,
só uma lhe causou pesar o esquecimento.
Quando ainda pequena, brincando então de ser assim como a vida, ela criava,
desenhando no verso das folhas de um calendário de anos passados.
Como se não houvesse então crítica que se aplicasse ao seu desenho,
já que a natureza não lhe cobrava perfeição por saber perfeitamente que não havia lhe dado, ela desenhava com a liberdade de um deus, recriava a seu modo tudo o que via. Quando, certa vez, com um grito, ela chamou sua mãe que lhe passava às suas costas, para lhe mostrar sua a obra:
“Ninguém desenha um elefante tão bem quanto você” ela disse,
“acho mesmo que eles iriam preferir ser como no seu desenho se o vissem” completou.
Tal lembrança a marcou com um sentimento. A compaixão.
Sua mãe havia tentado ser de fato uma mãe.
Ela tentou, mas sua borboleta não estava tão bela assim.
Noite silenciosa, noite escura... tanto quanto era silêncio e escuridão o coração do homem que só da boca emitia som, que só com a boca lhe disse que a amava.
Onde está O Homem?
Ainda diz amá-la?
Ainda é silêncio?
Se tornou escuro o bastante para ver a luz?
Sente falta do seu cheiro?
Está no lugar que desejava?
Ele a deixou louca?
Ou apenas livre?
Até quando?
Só o tempo.
De frente ao espelho pode ver a ação do seu algoz,
tentou lavar seu rosto e percebeu que nele não havia mais brilho.
Ela havia construído seu mundo ao redor de vulcões, e eles a queimaram.
O tempo havia lhe surrado a face, enterrado seus olhos em duas covas escuras
e lhe rasgado um sorriso de plástico que os contradizia.
Quando, porém, seu olhar cruzou com o seu próprio no espelho,
ela percebeu que algumas coisas a vida muda, mas que ela era a mesma.
Enquanto esperava que enchesse a banheira, viu pelo basculante, a cidade que dormia apesar do ruído metálico e do calor estático da noite sem nuvens.
Ela havia comprado esse apartamento por causa da vista,
e se perguntava agora o que desejava ver.
Porque tudo o que agora olhava de cima, ela já conhecia
pessoalmente e com proximidade ofegante.
Paredes e pessoas,
corpos e a ruas,
sombras e suas luzes,
sentimentos e a dor,
corações e só.
Então porque ela preenchia sua esperança com felicidades que pegou emprestado, porque gritava “eu acredito!” se isso não significava nada pra ela.
Fria.
Água fria a rodeava agora...
Seus cabelos muito negros se espalhavam como algas no mar noturno,
Um arrepio no ombro a assusta como um último indício de que ela ainda vivia.
De volta à água da qual nunca nascera, sente que seu pai enfim lhe beija a face,
Rompe então a tênue linha que a separava do fim.
Uma surdez momentânea, a pressão acolhedora, o distanciamento almejado...
e ela.
Só ela. Enfim sentindo, sendo, outra vez criando e sendo criada,
tanto morrendo quanto nascendo.
Ela abre a boca de uma só vez,
como se seu grito não devesse ser ouvido pelo mundo,
e se sente então tomada pela água que invade seu corpo lenta e dolorosamente. Liberdade e desprendimento se misturam a dor limpa e leal que sente.
Ainda há música em seus ouvidos
há um pouco de vinho em sua boca
Um pouco de vida em seu corpo
Algumas lembranças nos seus olhos
E se pergunta então uma ultima vez... Senhor, pode me ouvir agora?
domingo, 7 de abril de 2013
Doce Alvorada
Ele é doce...doce do tipo que sofre com formigas
Tem aquele cheiro que faz com que acelerem meus batimentos
Um aroma de madeira fresca, papel e terra.
Quando ele conta algo, inclina a cabeça para trás
ligeiramente para direita... e fecha os olhos abrindo-os lentamente logo depois.
Quando algo não tem solução, ele levanta o queixo apertando assim a pequena boca
Boca essa que quando ele sorri, age como se de súbito tomasse uma preferência pelo lado direito de seu rosto, moldando assim o sorriso charmoso que contagia o meu.
Sua presença amanheceu em mim,
aquecendo-me e iluminando esse solo até então frio e sem vida.
Sua face tem sido desde então como o horizonte
onde posso vislumbrar uma felicidade outrora impossível,
mas que agora tornasse tão presente quanto o calor do sol e de sua pele.
Tem aquele cheiro que faz com que acelerem meus batimentos
Um aroma de madeira fresca, papel e terra.
Quando ele conta algo, inclina a cabeça para trás
ligeiramente para direita... e fecha os olhos abrindo-os lentamente logo depois.
Quando algo não tem solução, ele levanta o queixo apertando assim a pequena boca
Boca essa que quando ele sorri, age como se de súbito tomasse uma preferência pelo lado direito de seu rosto, moldando assim o sorriso charmoso que contagia o meu.
Sua presença amanheceu em mim,
aquecendo-me e iluminando esse solo até então frio e sem vida.
Sua face tem sido desde então como o horizonte
onde posso vislumbrar uma felicidade outrora impossível,
mas que agora tornasse tão presente quanto o calor do sol e de sua pele.
Pra você, por mim.
Meu anjo, se te escrevo hoje, é por saber que nunca vai ler essas palavras. Mesmo que possa parecer injustificável ou até mesmo inapropriado, ainda sim escrevo. Porque escrevo essas palavras pra você, mas eu as escrevo por mim.
O que faria eu com tais palavras? Injustificável seria deixa-las secar ao sol como as flores da primavera que passou e ninguém viu.Se escrevo é para que não seja tão árduo esse sentimento, para que minhas palavras de amo possam ser ditas nem que seja ao vento, pois em mim elas já não cabem mais.
Mas meu anjo, você nem sabe que te chamo assim, você nem ao menos acredita neles. Como esperar que você entenda esse meu gostar, que não é grande por não ter tamanho.
Te olhando dormir, senti que de nada valia minha individualidade, eu deixarei de ser eu para me tornar a própria felicidade. Sua felicidade.
Serei, meu anjo, o que lhe faltar. Serei o amigo, o pai, a mãe, professor... indefinidamente seu. Para cada necessidade sua, me farei solução, para cada lágrima que cair, serei o motivo para o sorriso. E meu anjo, quando você cair, antes mesmo do chão, você verá minha face, e sentirá que minha mão te espera, e perceberá que além de te levantar ela pode ser sua companhia para caminhar.
Por favor, meu anjo, esqueça o homem do qual você provém, e esqueça o homem que você acredita ser. Não se prenda dessa forma, você nunca saberá, se nunca tentar, perdoar seu passado e simplesmente ser meu.
Eu terei de me perdoar quando por fim, mergulhar nas profundezas geladas que são seus olhos, pois eu preciso trazer você de volta pra si mesmo. Ainda que esse que eu trouxer não me ame e não reconheça em meu corpo as chagas do sacrifício, eu estarei sorrindo ao ser expulso. Pois se o fiz foi por você. Você que é o motivo justifica a respiração que me mantém. Pois ao invés de ar, meu anjo, eu só respiro você.
Hoje o canto da cama só tem sua ausência, não há estrelas no céu. E quando escuto a música, meu anjo, é seu cheiro que eu sinto. Nesse quarto escuro, a única centelha de vida, é a que queima em meu peito, pois é nele que habitas, seja onde você estiver agora,
meu anjo.
O que faria eu com tais palavras? Injustificável seria deixa-las secar ao sol como as flores da primavera que passou e ninguém viu.Se escrevo é para que não seja tão árduo esse sentimento, para que minhas palavras de amo possam ser ditas nem que seja ao vento, pois em mim elas já não cabem mais.
Mas meu anjo, você nem sabe que te chamo assim, você nem ao menos acredita neles. Como esperar que você entenda esse meu gostar, que não é grande por não ter tamanho.
Te olhando dormir, senti que de nada valia minha individualidade, eu deixarei de ser eu para me tornar a própria felicidade. Sua felicidade.
Serei, meu anjo, o que lhe faltar. Serei o amigo, o pai, a mãe, professor... indefinidamente seu. Para cada necessidade sua, me farei solução, para cada lágrima que cair, serei o motivo para o sorriso. E meu anjo, quando você cair, antes mesmo do chão, você verá minha face, e sentirá que minha mão te espera, e perceberá que além de te levantar ela pode ser sua companhia para caminhar.
Por favor, meu anjo, esqueça o homem do qual você provém, e esqueça o homem que você acredita ser. Não se prenda dessa forma, você nunca saberá, se nunca tentar, perdoar seu passado e simplesmente ser meu.
Eu terei de me perdoar quando por fim, mergulhar nas profundezas geladas que são seus olhos, pois eu preciso trazer você de volta pra si mesmo. Ainda que esse que eu trouxer não me ame e não reconheça em meu corpo as chagas do sacrifício, eu estarei sorrindo ao ser expulso. Pois se o fiz foi por você. Você que é o motivo justifica a respiração que me mantém. Pois ao invés de ar, meu anjo, eu só respiro você.
Hoje o canto da cama só tem sua ausência, não há estrelas no céu. E quando escuto a música, meu anjo, é seu cheiro que eu sinto. Nesse quarto escuro, a única centelha de vida, é a que queima em meu peito, pois é nele que habitas, seja onde você estiver agora,
meu anjo.
Profundezas Abissais
Não sou.
Sou seu ser de profundezas abissais... não sobreviveria nas águas rasas que são esses seus sentimentos
vivo onde não há! Apenas não há.
Pois haver seria insuficiente... lá se é! Desde o mínimo ser que possa então ser de fato.
Lá ele é.
Não existe amenidade que viva nesse território de sentimentos descomunais que apesar da grandiosidade correm de forma desordenada em direção a corações fracos e despreparados...
Cada pedaço de sentimento desce como uma rocha negra naquele solo encharcado por água de igual
escuridão, de forma a causar aquele estrondo mudo que ecoa nos apodrecidos corações que ali habitam.
Muito acima, em águas menos profundas estive impregnado de uma luz ligeiramente colorida, assim como são ligeiramente vivos os seres que lá vivem
Leviandades... Frívolos sentimentos que eu vi! Nem mesmo sua descartabilidade é verdadeira pois eles com suas formas padronizadas atormentam e se aglutinam em tudo que tocam, contaminam, multiplicam-se!
Como me causa ódio! Não me atreveria chama-lo assim se não fosse um ódio verdadeiro!
Me enojam tais seres que vivem nessas águas onde julgam haver limpidez... o que tal limpidez mostraria se não existem nada mais significante que uma leve transparência de cores quase imperceptíveis brotando desses... ah.. corações! Atrofiados, inutilizados reduzidos a uma estúpida maquina provedora desse fluido insosso de que se forma os sentimentos que eles usam para mostrar o quão fúteis e degradados se tornaram.
Onde vivo é de uma intensidade violentamente invasiva, onde não se esconde, não se finge, não se parece, não há nada:
Exclamação, descomunhão, exaltação, destruição, deformação, putrefação, mutilação, convulsão, dilaceração!
O sentimento que sai abre com suas múltiplas patas o peito, rasgando a pele seca e pálida que o abrigava, dilacerando o corpo trêmulo do sofredor que se vai.
Que seja podre a carne que carrego, que seja fétido o meu andar, que seja destrutiva minha presença e que eu exploda em sentimentos sempre que sentir.
Pois se sinto é porque eu sou... e se sou é para que eu sinta!
Sou seu ser de profundezas abissais... não sobreviveria nas águas rasas que são esses seus sentimentos
vivo onde não há! Apenas não há.
Pois haver seria insuficiente... lá se é! Desde o mínimo ser que possa então ser de fato.
Lá ele é.
Não existe amenidade que viva nesse território de sentimentos descomunais que apesar da grandiosidade correm de forma desordenada em direção a corações fracos e despreparados...
Cada pedaço de sentimento desce como uma rocha negra naquele solo encharcado por água de igual
escuridão, de forma a causar aquele estrondo mudo que ecoa nos apodrecidos corações que ali habitam.
Muito acima, em águas menos profundas estive impregnado de uma luz ligeiramente colorida, assim como são ligeiramente vivos os seres que lá vivem
Leviandades... Frívolos sentimentos que eu vi! Nem mesmo sua descartabilidade é verdadeira pois eles com suas formas padronizadas atormentam e se aglutinam em tudo que tocam, contaminam, multiplicam-se!
Como me causa ódio! Não me atreveria chama-lo assim se não fosse um ódio verdadeiro!
Me enojam tais seres que vivem nessas águas onde julgam haver limpidez... o que tal limpidez mostraria se não existem nada mais significante que uma leve transparência de cores quase imperceptíveis brotando desses... ah.. corações! Atrofiados, inutilizados reduzidos a uma estúpida maquina provedora desse fluido insosso de que se forma os sentimentos que eles usam para mostrar o quão fúteis e degradados se tornaram.
Onde vivo é de uma intensidade violentamente invasiva, onde não se esconde, não se finge, não se parece, não há nada:
Exclamação, descomunhão, exaltação, destruição, deformação, putrefação, mutilação, convulsão, dilaceração!
O sentimento que sai abre com suas múltiplas patas o peito, rasgando a pele seca e pálida que o abrigava, dilacerando o corpo trêmulo do sofredor que se vai.
Que seja podre a carne que carrego, que seja fétido o meu andar, que seja destrutiva minha presença e que eu exploda em sentimentos sempre que sentir.
Pois se sinto é porque eu sou... e se sou é para que eu sinta!
Um Longo Caminho à Felicidade
Maldita seja essa lucidez que permite que eu perceba em plenitude a dor que sinto e essa felicidade que assim como a lua, se faz próxima o suficiente para fascinar embora impossivelmente distante de alcançar.
Pudera eu alienar-me de uma felicidade mesmo que frívola e passageira que me embriagasse desse sentimento irresponsável e descompromissado que é a alegria. Talvez assim não fosse tão profundamente ciente dessa real impossibilidade.
Onde pudesse olhar o sol sem me importar em estar vivo quando ele se por, que eu vivesse a imediatez dos séculos e a eternidade de um olhar.
Pudera eu alienar-me de uma felicidade mesmo que frívola e passageira que me embriagasse desse sentimento irresponsável e descompromissado que é a alegria. Talvez assim não fosse tão profundamente ciente dessa real impossibilidade.
Onde pudesse olhar o sol sem me importar em estar vivo quando ele se por, que eu vivesse a imediatez dos séculos e a eternidade de um olhar.
A Imagem de um Inimigo sem Face
Um sentimento me arromba com voracidade num rompante de agonia, instalando-se em minhas próprias trevas a fim de consumir por dentro.
Ele me traz a falsa ideia de um sofrimento...
Mas ah! Feliz de mim se sangrasse e me doesse dessa tristeza.
Contrariamente, esse sentimento morno age cruelmente ameno... terrivelmente lento... tal como a água que nunca ferve, a represa que cheia que nunca transborda, a doença que nunca mata.
Enquanto escrevo, escorre em minha face as palavras frustrantes de minha insaciedade.
Elas me veem como um fio de sangue que desce nas curvas do meu rosto continuamente sem nunca pingar.
Não fosse tão cruel, meu algoz se poria diante de mim uma única vez que seja, para que em sua face eu pudesse ao menos encontrar derivação dessa dor que me aflige.
Mas não!
Tal como um viciado se deleita em frenesi entre as ruínas de uma construção abandonada, esse sentimento se esconde nas minhas próprias sombras, de forma a me dilacerar impunemente.
Pudera eu ter fim!
Pudera eu esperar o término de tudo... o término de mim.
Diferente disso, encontro-me fadado à continua regeneração da carne morta, à vil renovação da mesma esperança pútrida que me mantém vivo eternamente.
De forma que o eterno me tenha para sempre como um objeto de mórbida crueldade.
Ele me traz a falsa ideia de um sofrimento...
Mas ah! Feliz de mim se sangrasse e me doesse dessa tristeza.
Contrariamente, esse sentimento morno age cruelmente ameno... terrivelmente lento... tal como a água que nunca ferve, a represa que cheia que nunca transborda, a doença que nunca mata.
Enquanto escrevo, escorre em minha face as palavras frustrantes de minha insaciedade.
Elas me veem como um fio de sangue que desce nas curvas do meu rosto continuamente sem nunca pingar.
Não fosse tão cruel, meu algoz se poria diante de mim uma única vez que seja, para que em sua face eu pudesse ao menos encontrar derivação dessa dor que me aflige.
Mas não!
Tal como um viciado se deleita em frenesi entre as ruínas de uma construção abandonada, esse sentimento se esconde nas minhas próprias sombras, de forma a me dilacerar impunemente.
Pudera eu ter fim!
Pudera eu esperar o término de tudo... o término de mim.
Diferente disso, encontro-me fadado à continua regeneração da carne morta, à vil renovação da mesma esperança pútrida que me mantém vivo eternamente.
De forma que o eterno me tenha para sempre como um objeto de mórbida crueldade.
O Homem do Poço
No fundo de uma velha casa nessa cidade mesmo, existe um poço não muito fundo, mas o suficiente escuro para esconder um homem. Um homem que não consegue viver em cima. Ele se esconde (nas pessoas) das pessoas de tal forma que à tempos não vê o sol. Em seu lugar ele deixou outro simpático homem que se da bem com todos, esse belo rapaz é o único que ainda visita o Homem do poço.
Muitos podem pensar que é muita covardia do Homem do Poço, ou que é maldade do Homem que Fala, ficar em seu lugar assim. Mas acreditem eles precisam um do outro.
Foi o Homem do Poço quem ensinou ao Homem que Fala como fazer o que ele sabia, pórem nunca faria. Mesmo o Homem do Poço sabendo muito, ele está lá... escondido. Pois quem sabe viver mesmo é o Homem que Fala. Eles precisam que alguém fale.
O Homem do Poço nem se lembra mais quando foi parar lá. Ninguém sente a falta dele, falta de quando ele brincava ao sol, de quando ele não sabia que nem tudo que se é, deve-se ser.
Foi ela quem o levou pra lá, a Malícia. Ela falou sobre algo horrível que vive no peito de muita gente, um tal Maldade.
A malícia até que ajudou o nosso homem a se proteger. Mas como teria sido sem ela? Ele teria perecido diante da Maldade ou por não ter se escondido ( pois a maldade se esconde) ele seria mais forte que ela?
Não saberemos, mas o certo é que todos esses anos no poço o deixaram tão ruim quanto a Maldade. Escondido ali no escuro ele nem ao menos enxerga os sentimentos que tem. Não sabe se é real ou se inventou. Porém em um lugar onde se está só, o que você inventa É real... e não te deixa.
É preciso tomar cuidado com os seus sentimentos quando se está só, bons ou ruins , eles atingem apenas a você.
Me pergunto o que o Homem do Poço ainda espera. Espera mudar para ser aceito quando sair ou espera a coragem para se mostrar como realmente é?
Penso como seria quando/se o Homem do Poço sair.
O dia irá amanhecer e o sol, tão temido virá sem pressa, porém sem piedade, mostrar o que durante anos estava protegido pelas sombras. O que mostraria esse sol? O homem se acostumaria a ter cada sentimento a mostra? Seria feliz?
Nesse momento para onde iria o Homem que Fala? Pois apesar de uma criação, um espelho modificado do Homem do Poço, ele agora tem vida e algo para fazer dela.
Ele seguiria o nosso Homem (não mais) do poço?
Pouco provável, pessoas que gostam de “Alegres”, “Estilosos”,”Engraçados”, “Sinceros”,... não entenderiam a complexidade de ser simplesmente humano.
O Homem que Fala teria que procurar novas pessoas, Amantes das qualidades.
Tais pessoas merecem a presença desse homem lá do poço, com seu turbilhão de sentimentos?
Em contrapartida, elas são importantes o suficiente para que ele se esconda?
A vida não é fácil no poço. A vida não muda seu jeito mesmo que que você se esconda dela.
O Homem do Poço não reclama muito, pois assim como o Homem que Fala é semelhante as pessoas que engana, o Homem do Poço, por não ter coragem de sair... merece aquele poço.
Muitos podem pensar que é muita covardia do Homem do Poço, ou que é maldade do Homem que Fala, ficar em seu lugar assim. Mas acreditem eles precisam um do outro.
Foi o Homem do Poço quem ensinou ao Homem que Fala como fazer o que ele sabia, pórem nunca faria. Mesmo o Homem do Poço sabendo muito, ele está lá... escondido. Pois quem sabe viver mesmo é o Homem que Fala. Eles precisam que alguém fale.
O Homem do Poço nem se lembra mais quando foi parar lá. Ninguém sente a falta dele, falta de quando ele brincava ao sol, de quando ele não sabia que nem tudo que se é, deve-se ser.
Foi ela quem o levou pra lá, a Malícia. Ela falou sobre algo horrível que vive no peito de muita gente, um tal Maldade.
A malícia até que ajudou o nosso homem a se proteger. Mas como teria sido sem ela? Ele teria perecido diante da Maldade ou por não ter se escondido ( pois a maldade se esconde) ele seria mais forte que ela?
Não saberemos, mas o certo é que todos esses anos no poço o deixaram tão ruim quanto a Maldade. Escondido ali no escuro ele nem ao menos enxerga os sentimentos que tem. Não sabe se é real ou se inventou. Porém em um lugar onde se está só, o que você inventa É real... e não te deixa.
É preciso tomar cuidado com os seus sentimentos quando se está só, bons ou ruins , eles atingem apenas a você.
Me pergunto o que o Homem do Poço ainda espera. Espera mudar para ser aceito quando sair ou espera a coragem para se mostrar como realmente é?
Penso como seria quando/se o Homem do Poço sair.
O dia irá amanhecer e o sol, tão temido virá sem pressa, porém sem piedade, mostrar o que durante anos estava protegido pelas sombras. O que mostraria esse sol? O homem se acostumaria a ter cada sentimento a mostra? Seria feliz?
Nesse momento para onde iria o Homem que Fala? Pois apesar de uma criação, um espelho modificado do Homem do Poço, ele agora tem vida e algo para fazer dela.
Ele seguiria o nosso Homem (não mais) do poço?
Pouco provável, pessoas que gostam de “Alegres”, “Estilosos”,”Engraçados”, “Sinceros”,... não entenderiam a complexidade de ser simplesmente humano.
O Homem que Fala teria que procurar novas pessoas, Amantes das qualidades.
Tais pessoas merecem a presença desse homem lá do poço, com seu turbilhão de sentimentos?
Em contrapartida, elas são importantes o suficiente para que ele se esconda?
A vida não é fácil no poço. A vida não muda seu jeito mesmo que que você se esconda dela.
O Homem do Poço não reclama muito, pois assim como o Homem que Fala é semelhante as pessoas que engana, o Homem do Poço, por não ter coragem de sair... merece aquele poço.
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